Doenças kármicas – Valentim Lorenzetti

É comum ouvirmos falar de “problemas cármicos”. Afinal, o que é “carma”? A palavra kharma, do sânscrito, que foi aportuguesado por “carma”, não tem uma tradução muito ao pé da letra, mas de um modo geral pode ser traduzida como “débitos e créditos” de nossa contabilidade espiritual. Isto é, é a soma de nossos méritos e deméritos. É o livre-caixa de nosso espírito. Carma também pode ser entendido como ação e reação. Quer dizer: o ser humano pode agir livremente, mas tem, obrigatoriamente, de colher o fruto de sua ação. Semeadura livre e colheita obrigatória e é o lema da lei de ação e reação. Lei esta que, na física, é enunciada da seguinte forma: “a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e de sentido contrário”.

Logo, por “problema cármico” pode ser entendido todo problema relacionado com o nosso patrimônio espiritual. Patrimônio que é acumulado em numerosas encarnações, em numerosas existências do espírito em corpos físicos diferentes em diversas épocas. Assim uma doença de origem cármica é aquela reação que sofremos hoje a uma ação que ontem cometemos contra a Lei do Amor. Acontece que muita gente acha que, por exemplo, por ser a doença de origem cármica, não deve tratá-la, não deve procurar os meios que a Ciências nos coloca à mão para minorar o sofrimento ou curar doenças. É um erro. Toda doença deve ser tratada ou prevenida. Se a Ciências nos oferece condições de ajuda, devemos nos valer dessas condições; do contrário, estaremos agrando ainda mais nossos débitos.

Mas, sendo a doença de origem cármica e sendo curada pela Ciência, como fica a nossa dívida espiritual? Ora, a dívida não se pagará tão-somente em forma de doença ou sofrimento; podemos pagá-la na forma de trabalho, de amor em favor de nosso próximo. Se um indivíduo for curado pela medicina de uma doença cármica, é porque tem condições espirituais de receber a cura e pode, dessa forma, resgatar seu carma de outra forma menos dolorosa, mas, talvez, até mais proveitosa para a comunidade ou a família em que vive. Aqui se aplica o ensinamento de Paulo: “o amor cobre a multidão de pecados”. Isto é, um carma constituído de muitas dívidas adquiridas pela prática de muitos atos maléficos, pode ser resgatado com amor. Desde que a pessoa se conscientize de que realmente o caminho do bem é aquele que dever ser trilhado a qualquer custo.

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