A língua – André Luiz

Não obstante pequena e leve, a língua é, indubitavelmente, um dos fatores determinantes no destino das criaturas. Ponderada — favorece o juízo. Leviana — descortina a imprudência. Alegre — espalha o otimismo. Triste — semeia desânimo. Generosa — abre caminho à elevação. Maledicente — cava despenhadeiros. Gentil — provoca o reconhecimento. Atrevida — atrai o ressentimento. Serena — produz calma. Fervorosa — impõe confiança. Descrente — invoca a frieza. Bondosa — auxilia sempre. Descaridosa — fere sem perceber. Sábia — ensina. Ignorante — complica. Nobre — cria o respeito. Sarcástica — improvisa o desprezo. Educada — auxilia a todos. Inconsciente — gera desequilíbrio.

Por isso mesmo, exortava Jesus: “Não procures o argueiro nos olhos de teu irmão, quando trazes uma trave nos teus”. A língua é a bússola de nossa alma enquanto nos demoramos na Terra. Conduzamo-la, na romagem do mundo, para a orientação do Senhor, porque, em verdade, ela é a força que abre as portas do nosso coração às fontes da vida ou às correntes da perturbação e da morte.

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